Escolas de fronteira: espaços de escolarização multicultural

Este estudo examina as escolas de fronteira como espaços educacionais multiculturais que atendem estudantes indígenas (Kokama e Ticuna) de comunidades ribeirinhas e estudantes não indígenas de áreas urbanas. A pesquisa foi realizada em três instituições de Educação Básica: Escola Municipal Professo...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Cadernos Cajuína
Main Authors: Maria Auxiliadora Coelho Pinto, Caio Augusto Teixeira Souto, Michel Justamand, Cláudia Ribeiro Pereira Nunes
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí 2025-09-01
Subjects:
Online Access:https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/view/1124
Description
Summary:Este estudo examina as escolas de fronteira como espaços educacionais multiculturais que atendem estudantes indígenas (Kokama e Ticuna) de comunidades ribeirinhas e estudantes não indígenas de áreas urbanas. A pesquisa foi realizada em três instituições de Educação Básica: Escola Municipal Professora Jociêdes Andrade (Tabatinga), Escola Municipal Indígena Marechal Rondon (comunidade Kokama de Sapotal) e Escola Municipal Indígena Eware Mowatcha (comunidade Ticuna de Belém do Solimões). Com base na afirmativa de que a diversidade sociocultural deve ser preservada e aproveitada como estratégia de ensino, o objetivo foi analisar como os processos didáticos e pedagógicos se desenvolvem nesses contextos, com ênfase nas práticas interculturais de ensino. A investigação adotou abordagem qualitativa, com entrevistas e observações em sala de aula. Participaram doze professores e vinte estudantes do Jociêdes Andrade, cinco professores e doze estudantes da Marechal Rondon e oito professores e quinze estudantes da Eware Mowatcha. Os resultados demonstram que os docentes utilizam diferentes estratégias para articular leitura, escrita e conteúdos curriculares, ao mesmo tempo em que favorecem o diálogo intercultural. Evidencia-se, assim, o papel das escolas de fronteira na valorização da diversidade sociocultural e na construção de espaços de negociação cultural, nos quais sistemas de conhecimento indígenas e não indígenas coexistem e interagem. Ao reconhecer a diversidade como recurso pedagógico, essas instituições fortalecem a inclusão educacional e oferecem caminhos significativos para a aprendizagem intercultural na região amazônica de fronteira.
ISSN:2448-0916