As vogais pretônicas do Kabuverdianu do Príncipe

Este trabalho enfoca o kabuverdianu do Príncipe e descreve suas vogais pretônicas, comparando-as com as tônicas. Como corpus para este estudo, foram utilizados dados coletados no Príncipe em 2018 e os pressupostos teóricos são a Fonética Acústica e descrições prévias do kabuverdianu de Santiago, il...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Cadernos de Linguística
Main Author: Shirley Freitas
Format: Article
Language:English
Published: Associação Brasileira de Linguística 2024-10-01
Subjects:
Online Access:https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/760
Description
Summary:Este trabalho enfoca o kabuverdianu do Príncipe e descreve suas vogais pretônicas, comparando-as com as tônicas. Como corpus para este estudo, foram utilizados dados coletados no Príncipe em 2018 e os pressupostos teóricos são a Fonética Acústica e descrições prévias do kabuverdianu de Santiago, ilha de procedência da maior parte dos migrantes (Carreira, 1983). As vogais pretônicas foram divididas entre orais e nasais. Os segmentos pretônicos orais encontrados foram [i, e, ɛ, ə, ɐ, a, ɔ, o, u], que, em comparação com as vogais tônicas, duram menos (com a diferença sendo em média 30 milissegundos) e são mais centralizados. Quanto às vogais com o traço nasal, não foi registrada a aplicação da nasalidade heterossilábica (com as consoantes [m] e [n] na sílaba seguinte), sendo encontradas as realizações [i, e, ə, ɐ, a, o, u]. Considerando a nasalidade tautossilábica, foram encontradas as realizações [ĩ, ẽ, ɛ̃, ə̃, ɐ̃, õ]. Das 20 ocorrências de pretônicas nasalizadas, em 17, o murmúrio se fez presente tanto diante de fricativas quanto de oclusivas. As vogais pretônicas nasalizadas tiveram uma duração maior do que suas contrapartes orais, o que, juntamente com a presença do murmúrio nasal, podem ser apontados como indicativos da natureza bifonêmica da vogal nasal (/VN/). Em suma, os dados analisados trazem novidades com relação às descrições de Santiago (como a presença de 3 vogais centrais), o que revela a importância de estudar diferentes variedades e contribui para um maior entendimento da realidade linguística do Príncipe.
ISSN:2675-4916