| Summary: | Um conto de Nelson Rodrigues e uma história narrada por Xerazade em As Mil e Uma Noites apresentam uma surpreendente afinidade temática e de atmosfera, embora os destinos das duas protagonistas sejam inversos após seus encontros com um grande macaco: uma delas parte da celebração do casamento e da renovação da vida para ser tragada pela morte, ao passo que a outra parte de um processo de destruição certa para ser resgatada para a vida. Em ambos os casos há uma obsessão por um animal monstruoso, símbolo do que há de mais primitivo por baixo de nossa frágil capa de civilização. Reatualizando a ideia psicanalítica da necessidade humana de renúncia ou ao menos de controle dos instintos como fundamento da civilização, as duas histórias apresentam muitos pontos de convergência, embora pertençam a épocas e universos culturais muito distintos. Partindo de uma leitura cerrada dos dois contos, este artigo analisa seus significados e as estratégias narrativas dos dois autores.
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