Variação na concordância nominal de número no português de Porto Alegre (RS) e os estilos de vida dos porto-alegrenses

O artigo apresenta os resultados de um estudo acerca da concordância nominal de número (CN) no português em Porto Alegre (RS) no que se refere à variação entre CN explícita (as coisas quebradas) e CN zero (as coisas quebrada, as coisa quebrada). Na primeira etapa do estudo, realizou-se análise quan...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Working Papers em Linguística
Main Authors: Bruna Silva dos Santos, Elisa Battisti
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Linguística 2025-02-01
Subjects:
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/workingpapers/article/view/92034
Description
Summary:O artigo apresenta os resultados de um estudo acerca da concordância nominal de número (CN) no português em Porto Alegre (RS) no que se refere à variação entre CN explícita (as coisas quebradas) e CN zero (as coisas quebrada, as coisa quebrada). Na primeira etapa do estudo, realizou-se análise quantitativa de produção linguística do tipo atomística (Scherre, 1988) ou mórfica (Lucchesi; Dália, 2022) na linha sociolinguística variacionista (Labov, 2008), com dados de 32 entrevistas sociolinguísticas do LínguaPOA (2015-2019). Tomando-se a CN explícita como valor de aplicação da variável resposta, controlaram-se dez variáveis previsoras: Processos morfofonológicos para a formação de plural, Tonicidade do item lexical singular, Posição relativa do elemento ao núcleo, Posição Linear do elemento no sintagma nominal, Classe gramatical do item analisado, Gênero, Escolaridade, Renda, Zona. A análise dos dados com o R, uma linguagem de programação e ambiente de computação estatística (The R Core Team, 2022), em modelos de regressão logística de efeitos mistos mostrou que a CN explícita é favorecida por elementos pospostos ao núcleo do sintagma nominal e por falantes com nível superior de escolaridade. É desfavorecida por plural regular, vocábulos paroxítonos e proparoxítonos e falantes de renda baixa. Na segunda etapa do estudo, realizou-se análise de conteúdo (Bardin, 2011) em 8 das 32 entrevistas sociolinguísticas, procurando esclarecer por que categorias como Escolaridade, isoladamente, não são capazes de explicar a CN explícita. Os relatos nas entrevistas mostram que produzir mais CN explícita é atributo de sujeitos cujos estilos de vida pautam-se pelo gosto de luxo (Bourdieu, 2015): circulam pelo centro da cidade, consomem produtos culturais, em práticas que valorizam e requerem o uso da CN explícita, o que é possível com maiores níveis de renda.
ISSN:1984-8420