Os acervos, o meio digital, o intelectual das Letras
O trabalho com acervos literários sempre esteve tensionado por duas lógicas opostas. Há o esforço de quem resgata, recupera, organiza e publica informações para que outros as usem, como lhes convier, sem que associe a esse material qualquer sentido mais profundo ou mais organizado. Há também o traba...
| Published in: | Manuscrítica |
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| Main Author: | |
| Format: | Article |
| Language: | English |
| Published: |
Universidade de São Paulo
2013-10-01
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://www.revistas.usp.br/manuscritica/article/view/177733 |
| Summary: | O trabalho com acervos literários sempre esteve tensionado por duas lógicas opostas. Há o esforço de quem resgata, recupera, organiza e publica informações para que outros as usem, como lhes convier, sem que associe a esse material qualquer sentido mais profundo ou mais organizado. Há também o trabalho minucioso e paciente com o acervo, ao termo do qual o pesquisador publica seus resultados, impondo um sentido preferencial à massa de informações que ele produziu por si só, algumas vezes para si só. A cultura digital contemporânea tem incentivado avassaladoramente uma espetacularização do intelectual das Letras. Ora, esse processo já ocorria há muito na tradição impressa, quando, para o resultado do trabalho crítico, importava apenas o para si só. Contudo, nunca esse processo teve condições tão propícias como agora. Estamos chegando a uma situação em que o campo literário se desvanece diante das personas do crítico e do teórico. A digitalização de acervos e o uso de ferramentas informáticas de organização e busca de dados encaram uma encruzilhada. Vamos ter de escolher entre o trabalho coletivo, consequente, aberto, em que as obras literárias ocupem a ribalta, ou a mera construção de um palco em que personagens intelectuais exibirão um espetáculo vazio. |
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| ISSN: | 1415-4498 2596-2477 |
