Anacronismo, corpo e memória nas imagens escatológicas de Francisco Toledo

A ideia de que os fluidos do nosso corpo devem provocar nojo e repugnância atravessa séculos e tem explicações históricas, das quais buscamos alguns pensadores (Georges Vigarello e Mikhail Bakhtin) para elucidar as razões que solidificaram um imaginário do corpo sujo. Nas artes visuais, o artista me...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Revista Gearte
Main Author: Vanessa Daniele Moraes
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal do Rio Grande do Sul 2017-04-01
Subjects:
Online Access:https://www.seer.ufrgs.br/Poled/arti/index.php/gearte/article/view/70894
Description
Summary:A ideia de que os fluidos do nosso corpo devem provocar nojo e repugnância atravessa séculos e tem explicações históricas, das quais buscamos alguns pensadores (Georges Vigarello e Mikhail Bakhtin) para elucidar as razões que solidificaram um imaginário do corpo sujo. Nas artes visuais, o artista mexicano Francisco Toledo (1940) desconstrói a noção do excremento como um dejeto que deve causar repúdio nas pessoas. Sua obra pode ser lida num duplo contato com o corpo: quando ele usa a merda como tema (dejeto corporal) e quando pensamos em suas pinturas pelo viés antropológico, onde as imagens têm um significado simbólico e são, literalmente, formadas no corpo humano. A carga afetiva e emocional que envolvem a formação das imagens no homem contribui para que a imaginação seja única, intransponível e anacrônica.
ISSN:2357-9854