| 要約: | Este texto aborda aspetos da atividade heterogénea (em termos
de objetivos e modos de realização) conhecida sob a etiqueta de “exercício”,
a partir de um corpus de gramáticas de português como língua estrangeira
(PLE) do século XIX, dirigidas a um público-alvo francês. Tais aspetos
prendem-se a conceções, ambientes de aprendizagem, formas e práticas
que o exercício assumiu num momento histórico em que, do ponto de vista
metodológico, a gramática e a tradução eram a base do ensino das línguas
modernas estrangeiras, ainda muito marcado pela reputação do texto literário.
A abordagem é, pois, historiográfi ca, na linha da articulação de princípios e
metodologias propostos por Koerner (2014) e Auroux (2007) para o estudo
da história das ideias linguísticas. O presente trabalho é uma aproximação a
ideias linguísticas sobre o exercício, em torno de dois vetores fundamentais:
de um lado, a tradição gramatical de PLE, no contexto das especifi cidades e
características de gramáticas de línguas estrangeiras, que vários investigadores
(P. Swiggers, J. Gómez Asencio, N. McLelland, entre outros) têm vindo a
assinalar; de outro, a cronologia do século XIX e a defi nição de um público-
-alvo francês, aspetos ligados, na medida em que, face aos dados de que se
dispõe, o século XIX parece ter sido um período de grande vitalidade na
produção editorial francesa de gramáticas de PLE, da autoria de falantes
nativos (portugueses / brasileiros) e não nativos (franceses).
Sabe-se que o exercício tem sempre lugar em qualquer método de aprendizagem,
seja como elemento essencial, ou apenas constitutivo do processo de ensino.
A sua complexidade decorre exatamente do facto de, apresentando-se como
uma constante, ser portador de marcas que indiciam implícitos linguísticos,
cognitivos, afetivos, psicomotores. A discussão destas questões, que implicaria
distinções entre exercício / atividade / tarefa / resolução de problemas, fi cará
de remissa, por enquanto.
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