Olfato e risco cardiovascular: uma ligação ainda por explorar

Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) apresentam elevada prevalência na população, sobretudo nas faixas etárias mais avançadas. Estudos prévios associam comorbilidades como a dislipidemia, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca à perda de olfato. Contudo, os resultados são inco...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Revista Portuguesa Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Main Authors: Carlota Sousa, Joana Guincho, Luís Baptista, Filipe Correia, Mariana Donato, Pedro Escada
Format: Article
Language:English
Published: Portuguese Society of Otolaryngology and Head and Neck Surgery 2025-09-01
Subjects:
Online Access:https://journalsporl.com/index.php/sporl/article/view/3114
Description
Summary:Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) apresentam elevada prevalência na população, sobretudo nas faixas etárias mais avançadas. Estudos prévios associam comorbilidades como a dislipidemia, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca à perda de olfato. Contudo, os resultados são inconsistentes e a relação entre DCV e a disfunção olfativa permanece por esclarecer. Objetivo: Avaliar a correlação entre perda de olfato, fatores de risco cardiovasculares (FRCV) e o risco cardiovascular (RCV) global. Material e métodos: Estudo retrospetivo incluindo doentes com idade igual ou superior a 40 anos avaliados em consulta de Olfato, num centro terciário, entre 2016 e 2024. Foram avaliados os FRCV (sexo, idade, valores da tensão arterial sistólica, colesterol total e HDL, peso, altura, hábitos tabágicos e a presença de diabetes mellitus (DM)). O grau de perda do olfato foi quantificado através do teste de identificação Burghart Sniffin’ Sticks (0-16). O RCV foi calculado usando os índices SCORE2, SCORE2-OP (doentes com > 70 anos) e SCORE2-DM (doentes diabéticos). Foram realizados estudo caso-controlo e análise da correlação entre a pontuação na identificação e as restantes variáveis analisadas. O grupo controlo incluiu indivíduos emparelhados por idade e sexo, sem alterações subjetivas do olfato. A análise estatística foi feita utilizando o programa SPSS®️ 30.0 para MacOs. Resultados: Foram incluídos 119 doentes (81 com alterações do olfato e 38 no grupo de controlo) com idade média de 61 ± 11 anos, 79 do sexo feminino e 16,8% diabéticos. O grupo de estudo apresentou uma identificação olfativa média de 8,4 ± 4 e um RCV médio de 7,7% ± 6%. O estudo caso-controlo demostrou que doentes com disfunção olfativa têm níveis de colesterol total significativamente mais elevados e uma maior tendência a sofrerem de DM (p = 0,054), ainda que não estatisticamente significativa. Quando aplicada a análise de subgrupos e excluindo os doentes com perda de olfato por patologia nasosinusal houve relação estatisticamente significativa entre a identificação e o RCV (p=0,031) e com colesterol total (p=0,044). Não foram encontradas outras associações estatisticamente significativas nas restantes variáveis avaliadas.  Conclusão: Este é o primeiro estudo que explora a relação entre o RCV e as perturbações do olfato na população portuguesa. Este estudo sugere que existe uma associação entre a perda de olfato, um colesterol sérico elevado e um RCV aumentado.
ISSN:2184-6499