Quando o léxico dá bandeira - aspetos cognitivo-discursivos da mudança semântica na construção de brasileirismos em registros lexicográficos luso-brasileiros

Neste artigo, busca-se demonstrar a adequação de articular princípios da Análise Dialógica do Discurso – um campo do conhecimento que emerge da recepção brasileira ao pensamento do Círculo Bakhtin-Medvedev-Voloshinov (Círculo BMV) – com fundamentos da Linguística Cognitiva para o tratamento de ques...

Full description

Bibliographic Details
Published in:Diacrítica
Main Authors: Anderson Salvaterra Magalhães, Janderson Lemos de Souza
Format: Article
Language:English
Published: Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho 2020-03-01
Subjects:
Online Access:https://revistas.uminho.pt/index.php/diacritica/article/view/5156
Description
Summary:Neste artigo, busca-se demonstrar a adequação de articular princípios da Análise Dialógica do Discurso – um campo do conhecimento que emerge da recepção brasileira ao pensamento do Círculo Bakhtin-Medvedev-Voloshinov (Círculo BMV) – com fundamentos da Linguística Cognitiva para o tratamento de questões morfossemânticas do léxico do português brasileiro que indicam importantes atos napolítica lusófona. Especificamente, perseguem-se dois objetivos: 1) identificar condições cognitivo-discursivas próprias do português brasileiro que impactam seu estatuto vernáculo e 2) descrever um caso de mudança semântica que ilustra novas conceptualizações no léxico interno e registros do léxico externo a serviço de um projeto lexicográfico caracterizado como ato responsível (Bakhtin). Para isso, selecionam-se dos primeiros trabalhos lexicográficos luso-brasileiros, que datam dos séculos XVIII e XIX, duas unidades simbólicas em que constam tensões conceituais entre o lusitano e o brasileiro, a saber, bandeira e bandeirante. Os primeiros registros são cotejados com representativo trabalho lexicográfico brasileiro e lusitano do século XXI para fins de identificação, descrição e análise da mudança semântica que produz o senso de ‘brasileirismo’ tanto no Brasil quanto em Portugal a partirde frames (Fillmore) lusitanos. A discussão dos dados indica que a dimensão vernácula brasileira se constrói não por uma perspectiva propriamente brasileira, mas lusitana face às conceptualizações das relações sociais travadas em terras americanas no período colonial.
ISSN:0870-8967
2183-9174